Mario Rubbo

Músico nascido no bairro de Perus (SP) e personalidade importante da música na região

Mario Rubbo nasceu no bairro de Perus (SP) em 1944. Sua família é muito presente na história de desenvolvimento do bairro, sendo uma das primeiras famílias a se instalar na região. Seu avô, Ernesto Bottoni, além de ser comerciante local participou ativamente da comissão para a instalação da energia elétrica no bairro em 1954. Ernesto Bottoni também construiu o primeiro cinema de Perus – o Cine Perus – para seu filho Ercole Bottoni, tio de Mario Rubbo. A construção do Cine Perus teve início 1945 e foi inaugurado em 1948.

Mario iniciou sua vida musical seguindo os passos de seu irmão Orlando Rubbo (conhecido como Xanxin) em 1959, acompanhando a Orquestra do Oswaldinho como ritmista. Após a morte de seu irmão em 1963, ficou um período longe da música. Porém, em 1966 retoma as atividades musicais e funda o grupo 007 junto de seus amigos Noedi e Paulo Pedreiro.

Além de tocar bateria e instrumentos de percussão, Mario Rubbo já teve um bar no bairro que servia de local de ensaios para o grupo 007 e posteriormente trabalhou com a área comercial de vendas, ramo que atua até hoje.
Uma história curiosa sobre a vida de Mario Rubbo é contada no vídeo: a confecção em letras góticas da Ata da Pedra fundamental da Matriz Paroquial Santa Rosa de Lima que foi enterrada em 29 de agosto de 1965. A cerimônia litúrgica foi presidida pelo Cardeal Dom Agnelo Rossi, na época arcebispo da Sé Metropolitana de São Paulo.
Mario Rubbo é casado com sua companheira Eusa Martins Rubbo, tem 3 filhos e 2 netos.

Confira como foi a conversa com o Mario Rubbo no vídeo abaixo:

 

Abaixo galeria de imagens com fotografias da carreira musical de Mario Rubbo:

 

Grupos que Mario Rubbo participou:

Orquestra do Oswaldinho (1959 – 1963)
Conjunto 007 (1966 – em hiato)
Os Manos (década de 1970)
Orquestra do maestro Luiz Milano Filho (década de 1970)
Grupo Trevo (década de 1980)
Grupo Os Cancioneiros (década de 1980)
Ala (década de 1980)
Plataforma 5 (1999 – 2001)
Banda Kraho (2004 – 2009)
Drika e Os Escaravelhos (década de 2010)
Banda AZ- Cardápio Musical (2018 – atualmente)
Os Nono’s (2019)

 

Todo o conteúdo dessa postagem é baseado em relatos de história oral de Mario Rubbo. As fotografias integram o acervo pessoal de Mario Rubbo.

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Entrevistado: Mario Rubbo

Data: 25/10/2019

Entrevistadores: Antônio Moacir de Albuquerque e Fábio de Albuquerque

Gravação e edição: Fábio de Albuquerque

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Maestro Luiz Milano Filho (1915 – 1993)

Músico nascido em Mogi Mirim, morador do bairro de Perus e grande personalidade da história da região

 

O projeto História da Música de Perus digitalizou a gravação de uma apresentação da banda Lira da Paz, realizada em 1980, no bairro da zona noroeste de São Paulo. A cópia, que estava em uma fita K7, foi gentilmente cedida por Elias Aoun, que a preservou por quase 40 anos.

Apesar de todo esse tempo, a fita está em boas condições de reprodução e todo seu conteúdo foi digitalizado para integrar o acervo público deste projeto, com o objetivo de facilitar o acesso a essa gravação.

Abaixo galeria de imagens com a fita K7 preservada por Elias Aoun:

Em 4 de maio de 1980, foi organizada essa apresentação pública no Clube Recreativo e Esportivo MABRA, popularmente conhecido na região como Cine MABRA, que resultou na gravação de um dos episódios do programa “Bandas de todo o Brasil”, da Rádio Record de São Paulo (SP).

Entre a execução das músicas há entrevistas com o maestro Luiz Milano Filho sobre a banda Lira da Paz, Elza Catharina Pedreiro de Gasperi sobre a formação da banda e Evandro Cardoso de Sousa, que falou da importância de se manter as tradições das bandas musicais com as novas gerações.

Durante o programa, houve também apresentação de trechos de solos de pistão por Silvio (sem registro de sobrenome), clarinete por Antonio Molinari e solo autoral de bombardino por Francisco Barbosa, o Chicão. Os depoimentos do secretário da banda Demétrio Vidal Lopes contando um pouco da história da formação, desenvolvimento do bairro de Perus e a configuração da banda Lira da Paz complementam a apresentação. Por fim, o presidente da banda Elias Aoun falou sobre os desafios e dificuldades da manutenção da banda.

No lado A da fita K7, está o primeiro bloco do programa com boa qualidade de gravação e audição. No lado B da fita K7, está o segundo bloco do programa veiculado, mas com qualidade inferior de gravação.

Utilize o player abaixo para reproduzir a cópia da gravação.

Abaixo uma galeria de imagens com momentos da apresentação:

Repertório apresentado

Dobrado 13 listras – autoria de Pedro Salgado;

Dobrado Tenente Anelizio – arranjo de Luiz Milano Filho para a composição de seu professor de teoria musical e harmonia. O nome do compositor não é citado na entrevista, mas possivelmente pode ser Sr. Assis Fernandes, mestre da Banda Melhoramentos (Caieiras-SP);

Está na hora – samba de autoria de Bruno Barbosa;

Maria Auxiliadora – valsa de autoria de Pedro Salgado;

Chorinho da Simone – chorinho de autoria de Francisco “Chicão” Barbosa;

Os meninos da Mangueira – samba de autoria de Rildo Hora e Sérgio Cabral, com arranjo para banda musical;

Flor de Maio – valsa de autoria de Luiz Milano Filho;

Dobrado Irati – autoria do Maestro Azevedo

A Lira da Paz

A Corporação Musical Lira da Paz foi criada em Perus (SP) em 1965 com os esforços e o entusiasmo de Elza Catharina Pedreiro de Gasperi, Olimpio Pedreiro, Gilberto Batista, Luiz Milano Filho, Caetano Xavier de Moraes, Mariano Cruz e Antonio Bartolomeu. Todos reconheceram as capacidades musicais dos músicos da região e acreditaram na possibilidade da criação de uma banda musical.

Após uma primeira reunião em um cômodo cedido por Gilberto Batista, com a presença de outros músicos convidados e personalidades do bairro amantes da música, os fundadores se depararam com um grande problema: havia muitos músicos bons no bairro, mas a banda não tinha instrumentos próprios. Diante disso, Elza de Gasperi, uma amiga sua chamada Guiomar Mosca, Olimpio Pedreiro e Gilberto Batista saíram pelo bairro pedindo doações para custear a compra dos instrumentos.

Com muita dificuldade, mas com empenho de seus dirigentes, aos poucos a banda foi crescendo e apresentava-se com uma formação de 30 a 38 figuras. Eles tocavam em festividades religiosas, comemorações diversas, desfiles cívicos e principalmente no coreto da praça Inácia Dias, além de participar de competições entre bandas do interior do estado e conquistar vários troféus.

A Lira da Paz não tinha sede e, por muitos anos, ocuparam espaços improvisados, inclusive uma sala emprestada pela Sociedade Amigos do Distrito de Perus (SADIP). Até que Elias Aoun, em seu primeiro mandato como presidente da banda, conseguiu com a prefeitura de São Paulo um espaço próximo na Rua Edwiges Dias (hoje denominada Rua Crispim do Amaral), próximo ao terreno conhecido por ter uma “biquinha” de água.

Após quase 30 anos de atuação, a banda passou por um episódio que amargamente decretou seu fim. Elias Aoun, pesquisador da história de Perus e último presidente da Lira da Paz, registra o fim da banda em seu livro sobre as memórias do bairro de Perus:

“A Prefeitura de São Paulo fez várias mudanças em suas regionais administrativas e acabou sendo nomeado para o distrito de Perus o Sr. Edson Guimarães como nosso Sub Regional. Esse senhor apresentou-se a nossa Corporação não só como autoridade municipal, mas como candidato a vereador à Câmara Municipal, propondo a demolição da Nossa Sede por ser velha e de mau aspecto, para construir em seu lugar um prédio de dois andares digno para nossa sede e para tanto exibiu uma planta do projeto que em breve seria aprovado uma vez eleito vereador.
Convocada Assembleia Geral os membros da sociedade depois de discutida a proposta resolveram em concordar com a oferta e decidiram desocupar a sala. Logo após a desocupação a sala foi rapidamente demolida.
Veio a eleição e o candidato da Regional perdeu, perdeu também o emprego porque o partido mudou e as nomeações foram outras.
O lote vazio ficou abandonado e baldio até que o vizinho lindeiro indevidamente ergueu um muro e integrou-o à sua propriedade.

Sem sede, os músicos inativos e sem previsão de nova sede começaram a se dispersar para outras corporações musicais, e nesse meio tempo falece o Sr. Luiz Milano Filho, o estimado e insubstituível maestro. E foi assim que a chama se apagou, acabou-se a Banda da Corporação Musical Lira da Paz, deixando muitas saudades.”

Dados da Corporação Musical Lira da Paz (1965-1993)

Presidentes

Gilberto Batista
Olimpio Pedreira
Mariano Cruz
Antonio Bartolomeu
Demétrio Vidal Lopes
Elias Aoun

Maestro e Dirigente
Luiz Milano Filho

Músicos e integrantes (lista em construção)

João Rufino Fernandes Moreno – saxofone tenor

Silvio – pistão

Antonio Molinari – clarinete

Francisco “Chicão” Barbosa – bombardino

Fernando Barcari

Tote

Zé do Brejo – pistão

Arnaldo Alves – tuba baixo e bombardino

Evandro Cardoso de Sousa

 

Todo o conteúdo textual dessa postagem é baseado em relatos de história oral de Elias Aoun, de trechos de seu livro sobre a história de Perus e os relatos dos entrevistados nas gravações em áudio aqui presentes. As fotografias integram o acervo pessoal de Elias Aoun.

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Referências e créditos:

Elias AounLembranças de Perus – o bairro dos minérios. São Paulo: Ed. Clanel, 2010.

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Programa Bandas de todo o Brasil da Rádio Record

Banda musical: Corporação Musical Lira da Paz de Perus

Maestro: Luiz Milano Filho

Local: Clube Recreativo e Esportivo MABRA

Data: 04/05/1980

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